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Postado Por : LUCIANO SILVA 17 de dez de 2015


O fracasso (Continuação 04)

 Amado viu em seus empreendimentos a oportunidade perfeita de realizar seu sonho de ser cantor. Foi lá que o empresário conheceu vários donos de pequenas gravadoras e diretores de grandes gravadoras, nas quais ele sonhava um dia gravar. Conheceu também muitos artistas daquela época - Gino e Geno, João Mineiro & Marciano, Odair José, Sérgio Reis. No início da carreira eram eles mesmo que iam às lojas vender os próprios discos. Com visitas frequentes, Amado tornou-se amigo desses cantores.

 - De vez em quando a gente se encontra e lembra disso - contou ele em meio a risadas.

 Aquele garoto batalhador, que começou de baixo e manteve acesa a chama da fé por dias melhores, mal sabia que sua vida estava prestes a tomar um rumo inesperado.

 Em 1973, Amado conheceu Oscar Martins, um rapaz influente e dono da gravadora Anhembi & Chororó localizada no centro da cidade de São Paulo.

 A partir de então não se desgrudaram mais. Tornaram-se amigos íntimos, a ponto de Oscar acompanhar Amado quando este ia fazer serenatas com outros amigos para as namoradas.

 - Periodicamente eu fazia visitas as sua lojas e já na primeira visita nós nos tornamos amigos. Era como se fôssemos irmãos. Amado era um verdadeiro amigo, honesto, companheiro, ótimo comerciante - revelou Oscar.

 A prova dessa amizade foi Amado convidar Oscar para ser padrinho de casamento. Ele, lógico, aceitou na hora. Como poderia dizer não para seu grande amigo?

 Por muitas vezes, no fim do expediente, Amado, Oscar e mais alguns amigos iam para o hotel no qual Oscar estava hospedado, tomavam banho, descansavam antes do jantar e, depois, Amado pegava o violão e ficava a dedilhar.

 - Foi quando surgiu o "Amado, canta aí para eu dormir" - recordou Oscar aos risos.

 E Amado cantava algumas músicas de seu repertório, repleto de canções de outros cantores, para em balar o sono do amigo.

 - Amizade com Amado deixa muita saudade - disse Oscar levemente sentimental.

 Depois que abriu as lojas, Amado passou a ter contato com pessoas influentes e poderiam tornar o seu sonho realidade.

 Mandava fitas com suas canções para as grandes gravadoras, mas provavelmente ninguém nunca ouviu essas músicas ou, se ouviram, consideraram-nas inadequadas para fazer sucesso.

 Estavam completamente enganados, e Amado tinha um amigo que acreditava nele. Oscar, vendo o amigo com todo aquele entusiasmo, disse:

 - Poxa! Você não quer gravar um disco comigo?

 Amado meio sem jeito, por ter mandado suas fitas para gravadoras em que um dia sonhava gravar respondeu:

 - Lógico que eu quero gravar um disco com você. Estava sem jeito para pedir, por que eu mandei fitas para outras gravadoras e...

 - Que nada! Vamos gravar - interrompeu Oscar.
 E, naquele momento, Amado percebeu que havia alguém que acreditava nele, no seu potencial.

 Como já dizia Reginaldo Sodré: a coisa mais importante para o surgimento de um artista é a crença que se tem nele.

 Continuaremos a publicação desse destaque o fracasso de Amado Batista. Continua...

  

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