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Postado Por : LUCIANO SILVA 8 de fev de 2017


A Falência "Último Capítulo"

E mais uma vez Amado começou de baixo. Cada vez que algo ruim acontecia com ele, mais vontade de crescer e alcançar novos horizontes ele tinha.

 Amado ia fazer shows em cidades tão pequenas que achava que não teria público. Na hora do show, o local ficava lotado, pessoas da cidade e de regiões vizinhas gritavam seu nome. Ele subia ao palco e era aquela loucura, gritos e assovios o faziam ter certeza de que estava no caminho certo. Muitas vezes, chegou a ser saudado por garimpeiros, que tiravam o revólver da cintura e davam tiros para o alto. Sodré morria de medo dessa peripécia do garimpo.

 Para Amado tudo era festa, até quando ele tinha que tomar banho de caneca envolto por uma cortina que só cobria o tronco, deixando cabeça e pés de fora, e seus fãs passavam pedindo autógrafos.

 A precaridade era tamanha que ele viajava em aviões monomotores com portas remendadas com Durepox.

E os bancos? Simplesmente grandes latas de óleo vazias, usadas como espécie de banqueta. O cantor e os músicos viajavam quilômetros e mais quilômetros sentados em latas.

 Amado então ligou para Reginaldo - que não viajava com ele - e abriu o seu coração.

 - Reginaldo, bicho, tô com a respiração ofegante. Vou ao médico e ele diz que eu não tenho nada. O que é isso?

 Sodré, que sempre foi muito curioso com relação à medicina, respondeu:

 - Rapaz, isso parece Síndrome do Pânico.

 - O que é isso? - perguntou Amado.

 - É uma doença causada por alguma frustração, um trauma psicológico qualquer. Você passou algum medo recente?

 Amado começou a contar sobre suas viagens de avião.

Naquela época, as pistas de pouso e decolagem eram tão curtas que a cauda do monomotor era amarrada em uma árvore e o piloto acelerava até não poder mais, para pegar impulso, como se faz com carrinho de fricção. Quando a corda estava totalmente esticada, outra pessoa vinha e "tchunf" cortava e o avião decolava. Tamanho era o medo que Amado passava, que ele sempre pensava que iria morrer.

 Foi uma época difícil para o cantor, que apesar de ter estourado no Brasil inteiro, ainda estava no início da carreira. Ele trabalhava muito e ganhava pouco.

 E o que ganhava mal dava para pagar o aluguel, se alimentar e sobreviver.

 - Lembro do Amado já estar famoso, mas chegava, e eu tinha que sair empurrando - contou Sodré.

 Já não dava mais para viver daquele jeito. Goiânia tornara-se pequena para tanto sucesso.

 Próximo destaque em Amado Batista o Cantador de Histórias será "A Decisão."









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